a idéia é ser um lugar pra escrever algumas das coisinhas que passam na minha cabeça. antes, uns anos atrás, eu fazia isso num caderno que eu acabei perdendo num ônibus em BH. aqui eu não perco! pelo menos em tese...
Uma coisa que está me impressionado é como as pessoas a minha volta têm feito eu me sentir querida. Amigos, familiares... gente que passo um tempão sem encontrar que estão sempre de braço aberto. Gente que vejo e converso o tempo todo, tem uma sensibilidade tremenda pra cuidar e confortar. Entre flores & florais.
Lindo isso. Lindo saber isso, lindo sentir isso.
" A gente não faz amigos, reconhece-os" Vinícius de Moraes .
Pode ser o cara mais legal que você já conheceu, ainda assim é preciso cuidado. Cuidado com a expectativa, com o que se deposita naquilo ali. Pode ser o cara com a família mais querida que você já conheceu. Cuidado com o envolvimento, com as projeções que você faz a partir dali.
Cuidado com o tanto que se entrega, com a parcela da sua felicidade que você coloca na mão de outra pessoa, sem ter segurança pra isso. Alguém que não pode/quer receber esse amor. Em muito pouco tempo, entendi tudo do jeito errado, dei mais amor do que devia, mais do que eu dava conta. Confiei que era recíproco. Erro meu? Capaz de ser... mas olhando pra trás, não me imagino fazendo muita coisa diferente.
É, é verdade mesmo. Ficha caindo, abraço negado. EU precisava disso, precisava dar tchau. Muito a contragosto, mas precisava. Pode ter conversa, pode ter o que for, mas as coisas NUNCA vão ser como eram. Precisava dar tchau a isso, precisava despedir disso. Saí de casa achando que ele voltava comigo, voltei sem ele e sabendo que ele não volta mais. E tô indo embora sem poder dar tchau a isso.
Quase certa de que a dúvida dele já é uma certeza: não me quer mesmo. Dúvida foi um jeito cuidadoso de me falar isso.
E assim, sem aviso, de repente, desabou, tudo de novo. Assim perdi meu chão de novo, assim voltei a me questionar se existe algo que valha isso tudo que vem depois. Assim estou tendo que me conformar na minha inabilidade manter um relacionamento, impossibilidade de achar alguém que goste de mim, de verdade. Foda que eu não quero qualquer alguém, quero um alguém.
Quero ir embora dessa casa, ir embora dessa cidade, quero deixar esse tanto de lembrança pra trás. Antes de tudo, quero querer desligar disso. Quero força, quero luz. Lembrar que já passei por isso:
Bom, no fim das contas a dor não passou. Mas ela me faz pensar nos rumos malucos que a vida toma de vez em quando... me fez reavaliar minhas decisões, minhas palavras, minhas atitudes, meus valores. Me fez sentir sem chão, sem rumo, sem horizonte, sozinha. Ela me fez chorar, travar os dentes, querer vomitar, querer sumir, querer ter aula. Ela me fez ler poesia, me fez escrever de novo. Depois me fez chorar de novo. E reler todos poemas que poetas tão poetas deixaram para mim. E depois ela (a dor), me fez entender que é assim que tem que ser. Igual àquele amor antigo lá de baixo: "tanto mais antigo quanto mais amor". Ela me falou também que não irá embora de repente: que vai me ajudar a encontrar meu chão, meu rumo. Que vai me obrigar a passar por um processo lento, difícil e talvez até solitário. Mas ela, a dor, me prometeu que, no fim disso tudo eu vou estar forte, consolidada e feliz. De novo. Até a próxima vez que eu conhecer alguém, me apaixonar perdidamente. E sofrer. De novo.
Vontade louca de sumir, vontade louca de que tudo fosse diferente.
Mais uma vez: gostei mais dele do que ele de mim. Era bom demais pra ser verdade.
Encontrei alguém que valeu a pena tentar, e mais uma vez, não deu certo. Por quanto tempo ainda nada vai dar certo? Porque as coisas nunca acontecem na hora certa comigo? Bate uma certeza de que eu realmente não devo fazer por onde, que não sirvo pra isso. Achou que dessa vez ia dar certo? Com um cara legal? I-LU-DI-DA. Bobinha, tolinha, inocente e carente. E agora, sozinha. Cadê a Guida?
Vontade louca de desistir de tentar, vontade louca de me bastar e pronto.
"Logo passa", "a fila anda". Quero nada disso não: quero colo, quero cafuné, quero carinho. Quero ele, quero essa última noite, nem que seja pra manter um pouquinho mais a ilusão de que ele me quer, nem que seja pra sentir qualquer outra coisa que não seja esse aperto.
Dessa vez vale a fisgada dessa dor, cabe como rima de poema. Mas de que adianta: não me quer. E pronto.
Veio tudo seguindo a insegurança. Falar pouco é cômodo, é fácil. Mas fica muita coisa no ar. O friozinho constante gostoso na barriga virou uma geleira pesada e incomoda na barriga...
Da insegurança, veio o medo: medo de você me esquecer, medo de que tenha sido passageiro. Medo de acabar pegajosa demais, de virar uma chata egoísta inconveniente. Medo disso tudo ser mania de perseguição: medo de estar no processo de ficar meio maluca. Medo de falar o que eu to sentindo, medo de ser amor. Amor deixa as pessoas malucas? Vai ver é isso, não sei… Já diria a Madeleine:
Sei que tem muita coisa a ser organizada, muita coisa a ser feita, muita gente pra ver. Deu medo também de, no meio disso tudo, ficar de lado: tanto agora quanto depois. Medo de você não querer a barra que vem, a barra que vai piorar daqui a pouco: 821 quilômetros, 9 horas e 38 minutos. E sério: se não cuidar, se não cultivar, nada aguenta. Ninguém aguenta. Sem perseguir, sem neura, mas com carinho e com atenção. E tem que ser junto...
Sempre fui eu a pessoa do casal a se mudar. Sempre achei que ir embora era muito difícil: você fica sozinho, num lugar diferente, tendo uma rotina nova, adaptando a cidade, as pessoas. Descobri que ficar é muito mais difícil. O vazio fica na vida de quem fica. O lugar é o mesmo, as pessoas são as mesmas, a rotina é a mesma. Fica um buraco doído. Noites sem filminho, sem cafuné, sem colo, sem risada. Sem graça. Sem você.
Com esse medo todo, tá difícil não ficar com os olhos mareados, tá difícil ficar parada sem chorar. De respirar dói. Acredite: estou muito feliz por tudo que você conquistou. Um pouco em dúvida se tenho direito de sentir orgulho, é tudo tão novo.Se você ler esse texto (se eu tomar coragem e te mostrar): sei que falar isso tudo agora faz de mim sim uma chata egoísta inconveniente. Das piores. Desculpa, tá muito difícil pensar com calma depois que você entrou na minha vida e levou meu coraçãozinho embora. É muito difícil ser racional.
São meses de avaliação. Do que é voltar pra cá, do que é viver aqui.
ADORO viver aqui. Por mais que seja quase estrangeira aqui, feels like home. Trânsito é uma merda, mas me faz pensar: não sei ainda o que eu quero, mas tenho certeza do que eu NÃO quero. Quero coisas novas, quero mudar de área. Quero novos ares. Na verdade mesmo, quero voltar no tempo, e poder fazer mudanças numa hora crucial. Não consigo me desfazer do sentimento de que é tarde demais, de que segui o rumo errado. E putz, como dói saber disso. Como dói saber que fui covarde, e que por medo de não me decepcionar, acabei optando por caminhos mais fáceis. Segui o ritmo, e só hoje vejo isso como o atalho que tomei. MTF atalho. Quero meus vinte anos de volta, quero começar denovo. Chega de ver pessoas que são mais novas que eu e dominam algo que acho que nunca vou chegar lá. Merda de sentimento de falha.